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Aulas de Pilates, Musculação, Karate e Treinamento Funcional

domingo, 6 de maio de 2012

A Influência da música no exercício físico: musicalidade na cultura corporal do movimento



Não é difícil perceber o quanto a música está lincada ao exercício físico, basta ir a uma academia, clube ou algum outro espaço em que as pessoas estejam se exercitando, que é visível a olho nu muitas delas utilizando aparelhos sonoros para estabelecer o ritmo de seu exercício ou simplesmente dístrai-los durante ele.
    Em diversos exercícios físicos o aspecto da dor, do cansaço e dá monotonia estão presentes, como por exemplo, pedalar uma bicicleta ergométrica dentro de uma academia, se não houver um elemento que distraia o indivíduo durante este exercício ele pode ser extremamente enfadonho, principalmente por ser repetitivo, eis que nasce então a necessidade de escutar música como um elemento capaz também de distrair o indivíduo.Observamos que durante um jogo de basquete, voleibol ou futebol, muito raramente se ver algum jogador escutando música, isto porque estes esportes não são repetitivos, não está se falando aqui dá preparação física ou do treinamento, mas do jogo em si, pois, por mais que ele tenha movimentos estereotipados próprios de cada desporto, o jogo requer que a atenção do individuo esteja voltada para ele, pois ele possui uma constante mudança de movimentação, comportamento e estratégia. O que não acontece, ao correr em uma pista, fazer ginástica localizada, musculação e entre outros exercícios que possuem a repetição mecânica como elemento principal, é neles que a percepção de dor fica mais nítida, pois a atenção do individuo fica focada em suas próprias sensações de cansaço e dor, sendo assim necessário um elemento capaz de desvincular a atenção da pessoa para outro estímulo que seja mais prazeroso, e neste momento que a música durante o exercício físico ganha significância e contorno.
    Sobre isto Valin afirma que:
    De acordo com Tame (1984), a música pode afetar a energia muscular, elevar ou diminuir os batimentos cardíacos, influenciar na digestão. Csikszentmihalyi (1192) afirma que uma das funções da música é dirigir a atenção do ouvinte para padrões adequados a um determinado estado de ânimo, além de afastar o tédio e a ansiedade. A música nas atividades é utilizada no sentido de motivar a continuidade dos exercícios físicos ou de distrair o praticante de estímulos não prazerosos como cansaço, dor ou até tenção psicológica. (VALIN, 2007).
    Além disso, Todres afirma que:
    Os efeitos da música na redução da dor se explicam pela teoria do portal do controle da dor. A música age como um estímulo em competição com a dor, distrai o paciente e desvia sua atenção da dor, modulando, desta forma, o estímulo doloroso. Estudos de imagem do cérebro mostraram atividade nos contornos auditivos, no córtex auditivo e no sistema límbico em resposta a música. Mostrou-se que a música é capaz de baixar níveis elevados de estresse e que certos tipos de música, tais como a música meditativa ou clássica lenta, reduzem os marcadores neuro-hormonais de estresse. (TODRES, 2007).
    Contudo, a música não serve somente para distrair um individuo, mais também para estabelecer o ritmo de sua atividade física. Isto é fácil de ser visualizado na dança, onde a música institui o grau de movimentação corpórea, mas a música também faz isto em exercícios de repetição mecânica, pois a pessoa pode acelerar ou diminuir sua movimentação a depender do ritmo musical.

Pilates nas Lutas: vejam 5 exercícios...



O uso do Método Pilates pode ser empregado como uma forma de complementar o programa de treinamento de um atleta, além de ser um excelente trabalho preventivo.


É possível abordar o uso do Pilates nos esportes de combate em pé, esportes estes, definidos como as artes marciais compostas por conjuntos de técnicas, por exemplo, socos e chutes, utilizados a partir da posição de pé. Dentre os esportes de combate em pé, estão o Muay-Thai, Kickboxing, Caratê, Boxe, Tae Kwon Do, entre outros.

O uso do Método Pilates pode ser empregado como uma forma de complementar o programa de treinamento de um atleta, além de ser um excelente trabalho preventivo, tendo como objetivo manter sempre um bom alinhamento postural, fortalecimento de toda musculatura estabilizadora do corpo e o ganho e/ou manutenção da mobilidade articular envolvida nas atividades funcionais do atleta, a fim de diminuir as sobrecargas mecânicas impostas durante os treinamentos.

Tanto a estabilidade dinâmica como a liberdade de movimentos (a partir do ganho de mobilidade articular), são resultados da prática do Pilates, promovendo assim, uma melhora no desempenho esportivo do atleta.

Para auxiliar os atletas que queiram saber um pouco mais sobre os benefícios do Método Pilates, demonstrarei alguns exercícios que poderão ser feitos por qualquer atleta, em qualquer local:

1) Estabilização central e segmentar

Objetivo: Concentração, melhora do padrão respiratório, conscientização da contração abdominal (centro de força), alinhamento postural, alongamento axial, melhora da consciência corporal, melhora do equilíbrio e da estabilização central e segmentar.

Execução: Iniciar na posição de pé, com braços ao longo do corpo e flexão de quadril e joelho a 90º, mantendo-se em apoio unipodal, irá inspirar para preparar e quando iniciar a expiração, contrair o abdome e durante todo movimento controlar a contração abdominal e realizar o alongamento axial (como se alguém estivesse puxando um fio de cabelo para que a coluna esteja sempre ereta) durante a manutenção da postura. Realize essa postura com controle de tempo, progredindo assim que diminuir a dificuldade de execução.

Funcionalidade: Auxiliar nos movimentos de socos, chutes e joelhadas, a partir da melhora do equilíbrio, distribuição de peso e controle corporal.


2) Stretches Front (Alongando de frente)

Objetivo: Ganho de mobilidade de coluna e alongamento de posterior de coxa (isquiotibiais).

Execução: Iniciar na posição de pé, manter o tronco alinhado e de frente para o local de apoio, onde será apoiada a perna estendida. Leve o tronco à frente, enrolando a coluna (sempre mantendo o queixo no peito), mantenha a perna de apoio no solo sempre estendida, puxe o pé em sua direção, alongando assim os isquiotibiais. Retorne a posição inicial desenrolando a coluna.

Funcionalidade: Auxiliar nos movimentos de chutes, especialmente o chute frontal (Front Kick).

3) Alongamento Lateral de Tronco e Isquiotibiais

Objetivo: Ganho de mobilidade de coluna, alongamento da lateral do tronco e alongamento de posterior de coxa (isquiotibiais).

Execução: Iniciar na posição de pé, manter o tronco alinhado lateralmente para o local de apoio, onde será apoiada a perna estendida. Incline o tronco lateralmente, enrolando a coluna (sempre mantendo o alinhamento da cervical), o braço oposto a perna estendida acompanhando a inclinação, enquanto o outro braço permanece a frente do corpo (linha umbilical), mantenha a perna de apoio no solo sempre estendida, puxe o pé em sua direção, alongando assim os isquiotibiais. Retorne a posição inicial desenrolando a coluna.

Funcionalidade: Auxiliar nos movimentos de chutes, especialmente o chute lateral (Side Kick).

4) Prancha Lateral com gesto esportivo (joelhada)

Objetivo: Fortalecimento da cintura escapular, tríceps braquial, deltóide, glúteos, abdome, paravertebrais; alinhamento postural; estabilização central e segmentar, dissociação de cintura pélvica.

Execução: Deitado de lado, cotovelo flexionado apoiado no solo e pernas estendidas e alongadas. Eleve o quadril, mantenha o outro braço flexionado ao lado do corpo, flexione o quadril e o joelho a 90º (perna de cima), mantenha o alinhamento de tronco e promova o alongamento axial. Mantenha a postura com controle de tempo, progredindo conforme haja redução da dificuldade.

Variação: Mantenha a postura acima, realizando movimentos contínuos de joelhada, ou seja, flexione quadril e joelhos e retorne a posição inicial (pernas estendidas).

Funcionalidade: Auxiliar nos movimentos de chutes e joelhadas, especialmente as joelhadas.

5) Prancha Lateral com gesto esportivo (soco)

Objetivo: Dissociação da cintura escapular, fortalecimento da cintura escapular, tríceps braquial, deltóide, glúteos, abdome, paravertebrais; alinhamento postural; estabilização central e segmentar.

Execução: Deitado de lado, cotovelo flexionado apoiado no solo e pernas estendidas e alongadas. Eleve o quadril, mantenha o outro braço flexionado ao lado do corpo, realize o movimento de soco simultaneamente a extensão de quadril (leve a perna estendida para trás), mantendo o alinhamento de tronco e promovendo o alongamento axial. Mantenha a postura com controle de tempo, progredindo conforme haja redução da dificuldade.

Variação: Mantenha a postura acima, realizando movimentos contínuos de soco, retornando a posição inicial.

Funcionalidade: Auxiliar nos movimentos de socos, especialmente o direto.

Portanto, esses são somente alguns exemplos de como o Método Pilates pode ajudar na melhora do desempenho esportivo dos atletas de combates em pé.

Por fim, é muito importante lembrar que o Pilates deve ser sempre orientado por um profissional habilitado e formado no método, cabendo ao mesmo a progressão segura na evolução dos exercícios dentro da capacidade física de cada atleta.

* Por Luís Felipe Minechelli
Fisioterapeuta Especialista em Fisioterapia no Esporte (CETE-UNIFESP)
Fisioterapeuta responsável pela Reaction Fit - Fisioterapia e Pilates
Fisioterapeuta da Clínica Sportfisio - Total Performance